Voltando da locadora, vejo hoje que a Fox Home Vídeo brasileira acabou de lançar a coleção dos filmes da série O Planeta dos Macacos em DVD, e deu para perceber que a arte da capa do filme original continua perpetuando algo que sempre achei ridículo: o final do fime, e a maneira que a revelação ocorre, estão descaradamente expostos na própria capa do DVD. Isto não é de hoje -- uma versão do filme no finado formato DIVX (não confundir com o codec de mesmo nome) já demonstrava o mesmo problema desde 1999, pelo menos.
Eu sinceramente gostaria de saber se a turma na Fox Home Vídeo considera tão fundamental assim ter na arte da capa, na superfície do disco e nos menus do DVD, um sério spoiler que, em uma mera imagem, revela todo o final do filme. OK, O Planeta dos Macacos é um filme famoso por décadas, e muita gente conhece o final, famoso que é, e muito referenciado em diversas outras mídias (episódio da 7T de Os Simpsons o demonstra, por exemplo). Ainda assim, há pessoas que não o assistiram por x, y ou z razões, e no que forem fazer, já são apresentadas ao final, e mesmo que enquanto o assistem poderiam deduzir o final, ainda há a coisa de terem visto com antecedência como o final é revelado. E não acredito que haveria tanta necessidade comercial assim para se fazer a arte da capa da maneira que foi feita.
08 abril, 2006
01 abril, 2006
Apple Computer completa 30 anos
Neste primeiro de abril, a Apple Computer faz trinta anos, o que remete a uma época da história da informática a qual aprecio muito conhecer, o período entre meados dos anos 70 ao final dos anos 80. Como já comentado anteriormente aqui n'O Malho, o telefilme Piratas do Vale do Silício é uma boa representação do período da história entre meados dos 70 e 80, mas certamente não conta em detalhes a história toda. Para este fim, a minha recomendação recai sobre alguns livros: Milionário por Acaso, de Lee Butcher (focado na Apple), The Making of Microsoft, por Daniel Ichbian e Susan Knepper (focado na Microsoft) e Impérios Acidentais, de Robert Cringely (uma tomada mais geral da coisa).
Particularmente no que diz respeito a utilização desta ou daquela família de arquiteturas e/ou sistemas operacionais, este missivista é bem pragmático. Costumo utilizar corriqueiramente diversos Macintoshes com variantes Phanter e Tiger do Mac OS X, bem como PCs regulares com versões 2000 e XP do Microsoft Windows, e já estou me educando com o Linux em versões das distribuições Conectiva e Yellow Dog. Tenho papéis bem definidos para cada uma das plataformas, e tendo trabalho a ser feito, não acredito que se deva perder tempo em firulas sobre qual destes todos é ou não o Rei da Cocada Preta da informática, mas sim os escalarem e os aplicativos que suportam para os trabalhos os quais cada um é mais indicado, e ponto final. O resto é tentativazinha barata de se ideologizar o que não precisa -- nem deve.
Particularmente no que diz respeito a utilização desta ou daquela família de arquiteturas e/ou sistemas operacionais, este missivista é bem pragmático. Costumo utilizar corriqueiramente diversos Macintoshes com variantes Phanter e Tiger do Mac OS X, bem como PCs regulares com versões 2000 e XP do Microsoft Windows, e já estou me educando com o Linux em versões das distribuições Conectiva e Yellow Dog. Tenho papéis bem definidos para cada uma das plataformas, e tendo trabalho a ser feito, não acredito que se deva perder tempo em firulas sobre qual destes todos é ou não o Rei da Cocada Preta da informática, mas sim os escalarem e os aplicativos que suportam para os trabalhos os quais cada um é mais indicado, e ponto final. O resto é tentativazinha barata de se ideologizar o que não precisa -- nem deve.
29 março, 2006
Godspeed the crew of Expedition 13
E aí temos, a poucos minutos atrás, a Soyuz da Expedição 13/Centenário acabou de entrar em órbita, com Pavel Vinogradov, Jeffrey Williams e Marcos Pontes. Considerando que as emissoras de TV brasileiras não vão passar imagens constantes da missão o tempo todo, caso você deseje ver transmissões ao vivo da missão e uma cobertura bem completa, incluindo replays, basta utilizar a NASA TV -- e este outro link aqui já abre uma janela direta do Windows Media para a feed principal da emissora oficial da agência espacial americana.
25 março, 2006
Defesa Chewbacca
Acompanhando os mais recentes eventos em Brasília, dá para perceber claramente como atual Administração do Planalto está já faz tempo agindo basicamente como os neocons conservadores que apoiam a turma do Dubya na Casa Branca: ninguém pode dizer nada contra eles que tudo é sempre devido a Maligna Conspiração da Mídia para os derrubar, boohoo -- e outras bullshits do naipe. O velho papinho furado de "forças terríveis" não é realmente novo, é claro. Este desculpismo dos Pretorianos desta atual Administração do Planalto está atingindo níveis tão ridículos de absurdo que isto já está literalmente beirando a Defesa Chewbacca.
19 março, 2006
Material para o Darwin Award
Segundo esta nota da MSNBC, piratas na costa da Somália, para tentarem impedir a abordagem, abriram fogo contra dois navios da Marinha dos EUA, e o resultado só pode ter sido um belo OWNED para o lado deles, é claro. Tentarem enfrentar uma unidade da classe Ticonderoga e uma Arleigh Burke... tem que ser coisa para o Darwin Award, mesmo.
17 março, 2006
Capacetes na Copa
Segundo consta, uma polêmica está surgindo em torno de alguns capacetes de plástico fabricados na Holanda, visando servirem de "prop" para torcidas durante a Copa do Mundo, e que seguem o estilo utilizado pelas forças alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. A polêmica, é claro, gira em torno da questão que o capacete seria uma apologia ao neonazismo e coisa e tal. Segundo o fabricante, a coisa é apenas uma piada, e a polícia alemã já os informou que pretende permitir o seu uso, contanto que os usuários não coloquem nos capacetes legítimos símbolos nazistas. Eis um decorado com motivos brasileiros.

Embora eu não duvide que a intenção original do fabricante até tenha sido remeter aos capacetes que o Exército alemão utilizou durante a 2GM (pois é razão pela qual são mais conhecidos), não vejo realmente razão alguma para considerar estes capacetes per se como solene "símbolo nazista". Antes de mais nada, não foi criação da Alemanha Nazista -- capacetes no mesmo formato já eram utilizados pelo Exército Imperial Alemão desde antes da Primeira Guerra Mundial por exemplo. Os capacetes originalmente tinham uma "ponta-de-flecha" no topo, a qual foi gradativamente caindo em desuso durante a 1GM, até que finalmente foi abolida por completo.

E hoje em dia, inúmeras forças militares utilizam este estilo de capacete, como os exemplos abaixo, respectivamente de tropas dos EUA e do Chile, demonstram.

E considerando este próximo exemplo abaixo, podemos ver que algumas das forças israelenses, nada menos, também utilizam de capacetes no estilo em questão. Assim, se o próprio Exército de Israel não vê grandes objeções no uso de capacetes deste formato, não acredito que exista muita razão para celeuma -- é um "prop" meio tolo, mas não mais do que isto. A organização da Copa deve ficar sim de olho e impedir quaisquer manifestações de racismo e neonazismo durante o evento, mas também não deve perder tempo para procurar pêlo em ovo.

Embora eu não duvide que a intenção original do fabricante até tenha sido remeter aos capacetes que o Exército alemão utilizou durante a 2GM (pois é razão pela qual são mais conhecidos), não vejo realmente razão alguma para considerar estes capacetes per se como solene "símbolo nazista". Antes de mais nada, não foi criação da Alemanha Nazista -- capacetes no mesmo formato já eram utilizados pelo Exército Imperial Alemão desde antes da Primeira Guerra Mundial por exemplo. Os capacetes originalmente tinham uma "ponta-de-flecha" no topo, a qual foi gradativamente caindo em desuso durante a 1GM, até que finalmente foi abolida por completo.

E hoje em dia, inúmeras forças militares utilizam este estilo de capacete, como os exemplos abaixo, respectivamente de tropas dos EUA e do Chile, demonstram.

E considerando este próximo exemplo abaixo, podemos ver que algumas das forças israelenses, nada menos, também utilizam de capacetes no estilo em questão. Assim, se o próprio Exército de Israel não vê grandes objeções no uso de capacetes deste formato, não acredito que exista muita razão para celeuma -- é um "prop" meio tolo, mas não mais do que isto. A organização da Copa deve ficar sim de olho e impedir quaisquer manifestações de racismo e neonazismo durante o evento, mas também não deve perder tempo para procurar pêlo em ovo.

13 março, 2006
Quebrou, Levou para Casa
Linky Link para MSNBC
In a speech at George Washington University in the capital, Bush delivered the first in a series of planned speeches aimed at convincing Americans he has a strategy for victory, nearly three years after the U.S.-led invasion.
Tem sido isto por este tempo, como uma antiga tirinha de Dilbert: se você tem um projeto fadado a estar sempre com uma nuvenzinha cinzenta escrito DOOM flutuando em cima, lentamente reescreva os seus objetivos originais até que finalmente seja lá o que já você tenha conseguido combine com estes seus "objetivos originais".
He acknowledged, however, that not all Iraqi forces performed as well as others, and said there were reports that some forces in eastern Iraq had let insurgents pass by unimpeded.
Isto é evidente -- com a completa reorganização das forças iraquianas a partir do zero, é evidente que tais forças não tem como possuírem um corpo de experientes oficiais e praças especializados com anos de experiência, e mesmo com o emprego de política de treinamento como as da 2GM, visando adequar um número grande de civis para posições de liderança, isto ainda tem seus limites e prévia experiência ainda é largamente desejável.
Afinal, onde é que se poderia ter líderes de companhia, batalhões e brigadas com anos de experiência, ou pessoal de artilharia com a tarimba necessária para este tipo de operações, por exemplo? Ah, claro, podiam ter tirado das tropas regulares iraquianas anteriores... que foram completamente desincorporadas ao final da guerra, fosse seus membros fiéis a Saddam ou não, fosse isto claramente verificado ou não. Movimento para querer posar de responsável & decidido, mas que no frigir dos ovos acabou trazendo mais problemas do que qualquer outra coisa -- e trabalho de avaliação que agora se tem que fazer para procurar o trigo no meio do joio de recrutas que se consegue avaliar.
Assim, como comentado em nota anterior aqui d'O Malho, esta experiência vai ter que acabar emanando das forças iraquianas ainda operarem por anos de maneira conjunta com as forças dos EUA, o que deixa claro a necessidade de se continuar a ocupação. You Broke It, You Buy It.
In a speech at George Washington University in the capital, Bush delivered the first in a series of planned speeches aimed at convincing Americans he has a strategy for victory, nearly three years after the U.S.-led invasion.
Tem sido isto por este tempo, como uma antiga tirinha de Dilbert: se você tem um projeto fadado a estar sempre com uma nuvenzinha cinzenta escrito DOOM flutuando em cima, lentamente reescreva os seus objetivos originais até que finalmente seja lá o que já você tenha conseguido combine com estes seus "objetivos originais".
He acknowledged, however, that not all Iraqi forces performed as well as others, and said there were reports that some forces in eastern Iraq had let insurgents pass by unimpeded.
Isto é evidente -- com a completa reorganização das forças iraquianas a partir do zero, é evidente que tais forças não tem como possuírem um corpo de experientes oficiais e praças especializados com anos de experiência, e mesmo com o emprego de política de treinamento como as da 2GM, visando adequar um número grande de civis para posições de liderança, isto ainda tem seus limites e prévia experiência ainda é largamente desejável.
Afinal, onde é que se poderia ter líderes de companhia, batalhões e brigadas com anos de experiência, ou pessoal de artilharia com a tarimba necessária para este tipo de operações, por exemplo? Ah, claro, podiam ter tirado das tropas regulares iraquianas anteriores... que foram completamente desincorporadas ao final da guerra, fosse seus membros fiéis a Saddam ou não, fosse isto claramente verificado ou não. Movimento para querer posar de responsável & decidido, mas que no frigir dos ovos acabou trazendo mais problemas do que qualquer outra coisa -- e trabalho de avaliação que agora se tem que fazer para procurar o trigo no meio do joio de recrutas que se consegue avaliar.
Assim, como comentado em nota anterior aqui d'O Malho, esta experiência vai ter que acabar emanando das forças iraquianas ainda operarem por anos de maneira conjunta com as forças dos EUA, o que deixa claro a necessidade de se continuar a ocupação. You Broke It, You Buy It.
07 março, 2006
Níveis de senso crítico -- ou falta de
Como pessoas racionais e de senso crítico estabelecem possíveis níveis de qualidade para algo em particular:
- Ótimo
- Bom
- Regular
- Ruim
- Péssimo
Como trektardos, rabid warsies, otakus hardcore, fanboys genéricos e equivalentes a tudo isto, seja de que tema for, acham que as pessoas em geral se comportam:
- Excelente
- Ótimo
- Bom
- Regular
- Ruim
- Péssimo
Como estes tipinhos inúteis fariam as coisas serem para seus respectivos objetos de adoração e fetiche, caso tivessem poder de enforçar isto:
- SuperDuperÜberMaravilhoso
- Excelente
- Ótimo
- Bom
- Regular
- Ruim
- Péssimo
Mas felizmente, não podem fazer isto, é claro. No planeta dos trektardos, as pessoas contam assim: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 80, 81, 82, 83 (...) – mas apenas no deles.
06 março, 2006
Melhor pelo entregador, e não pela entrega
Considerando que o material disputando os páreos dos Prêmios da Academia deste ano era apenas morno, quando muito, o que deu bom equilíbrio para a noite foi certamente a presença do Jon Stewart, do Daily Show, como Apresentador da Entrega deste ano.
As reações da platéia foram um bom barômetro do tipo de audiência que uma entrega do Oscar tem: as pessoas ali são claramente do tipo que gostam de bancar os descolados ao rirem de piadas que alopram outras pessoas e especialmente de outras visões políticas que não as deles mesmos. Mas faça piadas voltadas sobre eles, coisa que Stewart fez, e o que se foi exatamente aquilo: o establishment hollywoodiano respondendo só com risadinhas e sorrisos amarelos. Não é o tipo de platéia a qual responde melhor ao tipo de humor que Jon Stewart coloca em campo, mas apesar disto, até que ele foi muito bem -- uma das melhores performances em tempos recentes de um mestre de cerimônias para Oscar, a um parsec de distância de Woppie Goldberg, David Letterman e principalmente Billy Cristal.
Mas pelo menos, por falta de representante brasileiro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, pudemos este ano ser poupados da inevitável "Vamos transformar Oscar em Copa do Mundo, weeeee!", atitude típica do público brasileiro, sempre acostumado a, antes da entrega, querer ver na premiação algo que ela não é... e depois da entrega e falta de vitória, aí sim vir com o papinho de "Oscar é coisa de indústria americana". Puxa vida, e em outras notícias, cientistas descobrem que a água é molhada.
As reações da platéia foram um bom barômetro do tipo de audiência que uma entrega do Oscar tem: as pessoas ali são claramente do tipo que gostam de bancar os descolados ao rirem de piadas que alopram outras pessoas e especialmente de outras visões políticas que não as deles mesmos. Mas faça piadas voltadas sobre eles, coisa que Stewart fez, e o que se foi exatamente aquilo: o establishment hollywoodiano respondendo só com risadinhas e sorrisos amarelos. Não é o tipo de platéia a qual responde melhor ao tipo de humor que Jon Stewart coloca em campo, mas apesar disto, até que ele foi muito bem -- uma das melhores performances em tempos recentes de um mestre de cerimônias para Oscar, a um parsec de distância de Woppie Goldberg, David Letterman e principalmente Billy Cristal.
Mas pelo menos, por falta de representante brasileiro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, pudemos este ano ser poupados da inevitável "Vamos transformar Oscar em Copa do Mundo, weeeee!", atitude típica do público brasileiro, sempre acostumado a, antes da entrega, querer ver na premiação algo que ela não é... e depois da entrega e falta de vitória, aí sim vir com o papinho de "Oscar é coisa de indústria americana". Puxa vida, e em outras notícias, cientistas descobrem que a água é molhada.
04 março, 2006
Os Simpsons com Atores
Mais outra rápida para fãs de Os Simpsons: Eis neste link um vídeo para a abertura da série filmada em ação-real, com atores, nada menos... não são idênticos aos originais, verdade, mas ainda assim o ar da coisa ficou muito bem feito. Bem estranho, mas de uma maneira hilária. Pelo jeitão das cenas, foi filmado em algum país da Europa.
02 março, 2006
Realmente não estão saindo de casa sem eles
Dia destes, eu estava fazendo um test-drive do Portal da Transparência, o website que a Controladoria-Geral da União implantou para divulgar publicamente gastos do Executivo, Ministérios e demais departamentos federais. Tal iniciativa, é claro, foi conseqüência da queimada-de-filme que sofreu a atual Administração do Planalto sobre gastos com centenas de cartões de crédito corporativos emitidos para o governo federal que estavam ocorrendo de maneira desconhecida e em um ritmo crescente -- a velha história de que quem nunca teve melado, quando tem, é aquela lambuzeira.Mas enfim. Enquanto website, o portal parece funcionar bonitinho. Uma vez nele, dá para escolher entre duas categorias principais, que são repasses de verbas federais para municípios, e gastos diretos por pessoal do governo federal.
Os repasses podem ser consultados até o detalhe de registro da ação federal, e destino. Um exemplo de consulta aos repasses resulta em registros como este abaixo (exemplos por escolhas totalmente aleatórias de minha parte):
Selecione o FAVORECIDO de seu interesse para obter o detalhamento do Valor Destinado.
UF: BAHIA Exercício: 2005
Total destinado ao Estado: R$ 9.451.748.407,12
Total destinado ao Governo do Estado: R$ 3.879.733.053,33
Total destinado aos municípios do Estado: R$ 5.572.015.353,79
Total destinado ao município ALCOBACA: R$ 11.681.679,64
Total destinado à ação 09JB - Concessão de Bolsa a Crianças e Adolescentes em Situação de Trabalho: R$ 11.500,00
CPF/CNPJ/NIS/OUTROS NOME Valor Destinado
13.761.721/0001-66 PREF MUN ALCOBACA 11.500,00
Pode-se consultar por município e/ou por programa federal de ajuda, e eu especulo que uma boa cruzada de informação deve render muita info interessante e valiosa que, não duvido, acaba ficando debaixo do radar em debates relevantes aos temas por mera falta de se ir atrás e gastar algum tempo destrinchando a coisa.
A parte sobre gastos diretos por pessoal também é bastante navegável, indo do órgão mais alto aos seus departamentos e até a pessoa que efetivamente fez o gasto. Vejamos...
Total de pagamentos efetuados com Cartões de Pagamentos do Governo Federal em 2005: R$ 21.706.269,63
Órgão MINISTERIO DA SAUDE: R$ 939.469,00
Órgão/Entidade Vinculada MINISTERIO DA SAUDE: R$ 750.350,22
Unidade Gestora GABINETE DO MINISTRO - MS: R$ 2.363,52
Portador 286.128.683-00 ANTONIA MOTA NETA: R$ 2.363,52
Extrato Transação CNPJ/Estabelecimento Comercial Data Valor
Dezembro/2005
COMPRA A/V - VISA-REAL-APRES 00.540.252/0001-03 PAPELARIA ABC COM E IND LT 13/12/2005 76,02
Novembro/2005
COMPRA A/V - VISA-REAL-APRES 00.540.252/0001-03 PAPELARIA ABC COM E IND LT 14/11/2005 65,80
COMPRA A/V - VISA-REAL-APRES 24.946.568/0005-91 DROGARIA NOVA DISTRITAL L 14/11/2005 16,55
Todos os registros são possíveis de serem "hiperlincáveis": você pode acessar diretamente o exemplo 1 acima clicando aqui e o exemplo 2 clicando aqui.
Navegando para lá e para cá nos registros, deu para perceber que a natureza dos tipos de estabelecimento são, na sua grande maioria, bem mundana; papelarias, postos de gasolina, pequenos comércios em geral, coisas que até se encaixam no tipo de gasto que um escritório qualquer possa necessitar no dia-a-dia de operações. Não acredito que vá ser fácil encontrar algum registro que dê para classificar como "gotcha!", como motéis ou casa de bingo... ninguém seria tão estúpido a este ponto, acredito. Não que jamais o fizesse, também. Apenas que não se permitiram serem pegos com a mão na massa pelo registro no extrato.
Relativo a isto, há algo que claramente chama a atenção. A quantidade de registros marcados como saque em dinheiro é absurdamente alta. Navegue aleatoriamente pelos registros e você vai esbarrar com dezenas, centenas de exemplos, marcados como "SAQUE CASH/ATM BB" e mais nada. Embora há muitos servidores que demonstram jamais utilizar a função, há inúmeros que o fazem, e há também aqueles que apenas o fazem, com seus registros demonstrando somente retiradas em dinheiro.
Qual seria a razão? Vai saber. Aliás, eu fico admirado em saber que os cartões corporativos estão habilitados para saque em espécie, coisa que por sua natureza, viola o próprio conceito que o Portal da Transparência visa endereçar: OK, sei que fulano de tal, do Departamento tal sacou mil reais no dia tal. E...? Por ser em espécie, acabamos não sabendo para onde foi La Plata.
Afina de contas, eu assumo que o detalhe das aquisições seja algo gerenciado e regulado pelo pessoal de cada departamento, mas até aí, não dá para saber isto por estes dados aqui apresentados: os registros parecem remeter diretamente ao que é gerado como banco-de-dados dos extratos dos cartões de crédito, então os detalhes vão apenas até o nome do estabelecimento pago -- não há maneira de saber o que foi adquirido. E, nos casos de retiradas em espécie, sequer para onde foi.
Outra questão é que alguns detalhes de diversos registros estão "travados" com a seguinte declaração:
Informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado.
Já era conhecido que o Governo iria alegar isto para muita coisa, afinal de contas, foi aquilo que quiseram colocar como desculpismo logo de cara quando a questão do exagero do uso dos cartões veio à tona. Mas é curioso observar que isto ocorre nos dados do website mais freqüentemente com departamentos como a Polícia Federal e a Abin, mas raramente (até onde constatei, pelo menos) com departamentos do Ministério da Defesa, que supostamente também poderia fazer bastante uso da prerrogativa de segurança nacional. Contudo, seus registros mostram pouco uso desta opção. Bom para eles -- afinal, não acredito que esconder a ida até a papelaria ou ao supermercado esteja realmente violando a segurança nacional.
Enfim, uma ferramentazinha interessante, para dizer o mínimo. Não mostra tudo o que poderia e/ou deveria, mas pelo menos já é alguma coisa para estar a mão como material de referência, para garantir um mínimo fundamental de seriedade no uso da ferramenta de cartão de crédito corporativo. E imaginar que em lugares como a Suécia, por exemplo, Mona Sahlin, uma congressista daquele país, teve que renunciar a seu cargo e ficar anos afastada da vida pública por ter sido pega em usar o cartão corporativo do Riksdag, o legislativo sueco, para comprar uma barra de Toblerone...! Exagero? Talvez. Mas demonstra que a coisa lá é levada a sério, ao contrário de lugares como aqui na "Freedônia"...!
01 março, 2006
Peraí, como é mesmo, Dubya?
I don't think anybody antecipated the breach of the levees.
- George W. Bush no Good Morning America, na primeira semana pós-Katrina.
Mas não me diga... é mesmo?
- George W. Bush no Good Morning America, na primeira semana pós-Katrina.
Mas não me diga... é mesmo?
Despir um Santo para vestir outro?
Embora eu sempre considerei válida a questão que o Programa FCS do Exército dos EUA visa endereçar -- criar uma família de veículos para infantaria motorizada que sejam possíveis de ser rapidamente deslocados para frentes de combate ao redor do globo -- é também importante considerar que colocar fichas demais neste conceito pode ser algo perigoso.
Como por exemplo este artigo reporta, com mais recursos sendo desviados de aquisições e melhorias programadas nos tanques M1A2 e no blindado de combate de infantaria M2A3, para o poço do FCS. Complicado, isto... atualmente as forças terrestes americanas estão engajadas em um combate onde blindagem está sendo muito necessária, e desviar recursos de melhorar os músculos nisto para um programa que visa justamente uma família de veículos peso-leve (em função de mobilidade extrema) acaba se tornando algo tanto perigoso a curto prazo, em não haver mais reforço nas forças atuais como elas são, como a longo prazo, com um número exagerado de brigadas baseadas apenas nos veículos do programa FCS.
Como por exemplo este artigo reporta, com mais recursos sendo desviados de aquisições e melhorias programadas nos tanques M1A2 e no blindado de combate de infantaria M2A3, para o poço do FCS. Complicado, isto... atualmente as forças terrestes americanas estão engajadas em um combate onde blindagem está sendo muito necessária, e desviar recursos de melhorar os músculos nisto para um programa que visa justamente uma família de veículos peso-leve (em função de mobilidade extrema) acaba se tornando algo tanto perigoso a curto prazo, em não haver mais reforço nas forças atuais como elas são, como a longo prazo, com um número exagerado de brigadas baseadas apenas nos veículos do programa FCS.
Supresa, surpresa: mais panaquice de melindrosos extremistas
Como reporta este artigo, em 19 de fevereiro passado um canal de TV iraniano transmitiu um seminário com Hasan Bolkhari, membro do Conselho Cinematográfico do Irã e assessor do Ministério da Educação Iraniano. Entre o costumeiro blá-blá-blá de sempre, há quando ele cita um desenho animado americano em particular intenciona espalhar propaganda sionista:
Há um desenho animado que as crianças gostam. Gostam muito, assim como os adultos - Tom e Jerry. (....) Algumas pessoas poderiam dizer que esta criação de Walt Disney irá ser lembrada para sempre. A judia Walt Disney Company conquistou fama internacional com este desenho. Ainda é transmitido ao redor do mundo. Este desenho mantém seu status devido as travessuras do gato e rato -- especialmente do rato.
Mais das besteiras no artigo.
Agora, além das imbecilidades em si que escarra, este cidadão sequer se deu ao trabalho de saber que a Disney nunca teve absolutamente nada a ver com a criação e produção de Tom e Jerry? E apesar de até podermos dizer que influência judaica nunca foi incomum em Hollywood (até mesmo recentemente na Disney, com Michael Eisner na posição de CEO), é absolutamente insano querer carimbar a Disney daquela época como uma "empresa judia". Fala sério...!
Não, mas parece que esta turma realmente gosta de demonstrar a que níveis pode levar a imbecilidade e a ignorância intelectual que gostam de exercer.
Há um desenho animado que as crianças gostam. Gostam muito, assim como os adultos - Tom e Jerry. (....) Algumas pessoas poderiam dizer que esta criação de Walt Disney irá ser lembrada para sempre. A judia Walt Disney Company conquistou fama internacional com este desenho. Ainda é transmitido ao redor do mundo. Este desenho mantém seu status devido as travessuras do gato e rato -- especialmente do rato.
Mais das besteiras no artigo.
Agora, além das imbecilidades em si que escarra, este cidadão sequer se deu ao trabalho de saber que a Disney nunca teve absolutamente nada a ver com a criação e produção de Tom e Jerry? E apesar de até podermos dizer que influência judaica nunca foi incomum em Hollywood (até mesmo recentemente na Disney, com Michael Eisner na posição de CEO), é absolutamente insano querer carimbar a Disney daquela época como uma "empresa judia". Fala sério...!
Não, mas parece que esta turma realmente gosta de demonstrar a que níveis pode levar a imbecilidade e a ignorância intelectual que gostam de exercer.
25 fevereiro, 2006
Capacidades Militares do Oriente Médio
Como reporta esta matéria da CNN, o Departamento de Defesa reduziu o status operacional do único batalhão iraquiano que seria capaz de lutar por si mesmo, para um nível que atesta que a força precisa de suporte americano para operações de combate. Como se pode constatar, apesar de um bom trabalho estar em andamento, ainda está longe o dia em que as novas forças armadas iraquianas vão estar aptas a defenderem o país de maneira eficiente, e conseguir fazer isto no volátil ambiente do Oriente Médio. Entrementes, lá ficam as forças americanas bancando os baby-sitters, um desperdício e um esforço valioso desprendido por realmente nada que garanta uma melhor segurança aos Estados Unidos -- o foco primário daquilo que deve ser a missão do Departamento de Defesa dos EUA.Agora, isto me remeteu a uma questão a qual vez e outra penso a respeito, e que já havia discutido antes nas comunidades em que freqüento. Se formos avaliar bem, pode-se constatar que em geral, nações árabes e/ou mulçumanas de outras etnias daquela região demonstram ter uma dificuldade em se organizarem como os exércitos ocidentais são constituídos, e uma tendência a sofrerem derrotas militares quando lutam com estes exércitos formados na tradição militar moderna, com divisões de infantaria, artilharia, cavalaria, forças aéreas e navais, e assim por diante.
Falando de memória, a coisa parece vir desde o século 19, e tem um bom exemplo no século 20 com a derrota do Império Otomano na 1GM; disto, temos diversos exércitos do Oriente Médio tomando um sal de um recém-nascido Israel, para não falarmos nos conflitos de 1967 e 1973; a Guerra do Irã-Iraque parece que foi a guerra dos incompetentes versus os despreparados, em um conflito que foi talvez um dos maiores desperdícios de equipamento militar da história; o Paquistão sempre mal se agüentou contra a Índia nos dois conflitos de 1965 e 1971; as duas guerras do Golfo, mesmo considerando a potência dos EUA, foram derrotas esmagadoras. E há vários outros casos aqui e ali, embora há também algumas exceções, claro, como por exemplo a integração da Turquia na OTAN e o necessário nível de competência mínimo para isto, e a campanha de Suez em 1957, que viu o Egito dar algum trabalho para a Grã-Bretanha e a França, mas nada que eles não conseguissem reverter caso os EUA e a URSS não tivessem interferido diplomaticamente.
Agora, nos perguntemos: porque esta tendência árabe e/ou mulçumana para fracassos militares deste tipo, quando com exércitos no seu formato clássico? Não deve ser burrice, pois não há razão alguma para se imaginar que seja um traço genético ou qualquer bobagem do tipo. Não deve ser covardia, também -- eles já mostraram que tem as bolas necessárias para enfrentamentos do tipo. Não é pobreza ou falta de recursos: muitos países daquela região sempre mantiveram gastos militares altos, compraram material militar à vontade, e sempre tiveram muito equipamento de qualidade a sua disposição. Treinamento, nem tanto: os soviéticos cansavam de treinar diversos exércitos do Oriente Médio, mas estes sempre tomavam pau de Israel; os EUA treinaram bem o pessoal militar iraniano no período do Xá Reza Palavi, mas isto não impediu o Irã de não conseguir derrotar em definitivo o Iraque.
A coisa talvez deva ter tintas culturais e sociais; provavelmente tenha algo a ver com a falta de unidade nacional, que hoje é baseada muito em estados-nações meio que impostos no final do período colonial, ao longo do século 20, além de costumes tribais que pregam lealdade mais a uma etnia ou família do que a estes estados. Sem uma base social destas, a maneira de se estabelecer uma força militar confiável e competente acabe comprometida, e assim, a prática de guerrilha e atos terroristas acaba por se encaixar mais em um perfil de combate o qual eles parecem lidar melhor. Uma outra maneira é olhar para o extremo asiático: o conceito de estado nacional sempre foi mais sólido naquela região, e de fato, os exércitos de países como Japão, Coréia, China e outros, tem um histórico militar melhor, seja em guerras passadas, seja em capacidade militar atual documentada. É algo interessante avaliar quando em debates sobre o tema do Oriente Médio atualmente.
19 fevereiro, 2006
Primeiros milisegundos de uma explosão nuclear
Estas fotos, tiradas pelo fotógrafo Harold Edgerton , com uma câmera especialmente preparada em um bunker na área de testes nucleares no deserto do Nevada, capturam os primeiros momentos de uma detonação nuclear -- a velocidade do obturador foi coisa de 1/100.000.000 de segundo, para se ter uma idéia. Imagens ao mesmo tempo impressionantes, assustadoras e interessantes, sem dúvida, bem diferentes do típico cogumelo conhecido que surge depois.
18 fevereiro, 2006
Stones to the Future

A frame acima é do episódio da sexta temporada de Os Simpsons, Lisa's Wedding (2F15 para os geeks aí fora), que foi produzido em 1995, e cujas cenas de "flash foward" ocorrem durante um suposto ano de 2010.
Notem o poster na parede. Nós estamos a menos de quatro anos de esta piada de Os Simpsons poder realmente se tornar realidade, bwhahaha. Não que seja algo ruim, muito pelo contrário, sem dúvida. Mas eu recentemente ter visto novamente este episódio, somado ao show dos Stones no Rio neste sábado, inevitável que a ironia não podia acabar passando batida.
13 fevereiro, 2006
Respeito só para as Agendas, pelo jeito
Como comentei recentemente em tópico do J-BBS, sobre a crise da charge dinamarquesa, a questão do "Há de se respeitar a crença dos outros" ser algo que tem que necessariamente invalidar qualquer possibilidade de crítica, brincadeira ou algo do tipo a uma religião é muuuuuito relativa.
Uma das coisas que pesa na questão é a importância de uma religião, e isto tem base puramente de popularidade e influência política e sócio-econômica do grupo religioso: se o cartoon estivesse aloprando Zeus (ou qualquer outra divindade "pagã"), todos estariam se lixando para o desrespeito, já que a massa de ofendidos seria tão pequena que deve caber em uma cabine telefônica. Mas existem, e estariam sendo desrespeitados. Só porque determinadas religiões tem poucos seguidores não mudaria o claro fato de que teria sido um suposto "desrespeito" do mesmíssimo tipo... mas não geraria o mesmo dilema, dado o fato de que a importância e influência destas religiões pouco populares não serem algo preocupante. Mas já que estamos falando do culto da multidão que tem seus sectos de milhões de melindrosos malucos, aí então surgem os papos de "respeito à crença". Sei, sei.
Não deveriam ser por razões pragmáticas todo o posicionamento "indignado" de ocidentais (seculares ou não) à suposta ofensa ao islã. Mas é por razões pragmáticas, sim, por mais que se negue isto e por mais que se queira carimbar "respeito as diversidades" e outros slogans politicamente corretos na coisa. É que nem o fato de que fazer piada sobre judeus, gays e negros dá altos rebuliços em determinadas rodas ou na sociedade como um todo, mas fazer piadas sobre esquimós não acontece nada. O lobby de melindração é muito mais forte com os três primeiros grupos, mas não com o quarto.
Uma das coisas que pesa na questão é a importância de uma religião, e isto tem base puramente de popularidade e influência política e sócio-econômica do grupo religioso: se o cartoon estivesse aloprando Zeus (ou qualquer outra divindade "pagã"), todos estariam se lixando para o desrespeito, já que a massa de ofendidos seria tão pequena que deve caber em uma cabine telefônica. Mas existem, e estariam sendo desrespeitados. Só porque determinadas religiões tem poucos seguidores não mudaria o claro fato de que teria sido um suposto "desrespeito" do mesmíssimo tipo... mas não geraria o mesmo dilema, dado o fato de que a importância e influência destas religiões pouco populares não serem algo preocupante. Mas já que estamos falando do culto da multidão que tem seus sectos de milhões de melindrosos malucos, aí então surgem os papos de "respeito à crença". Sei, sei.
Não deveriam ser por razões pragmáticas todo o posicionamento "indignado" de ocidentais (seculares ou não) à suposta ofensa ao islã. Mas é por razões pragmáticas, sim, por mais que se negue isto e por mais que se queira carimbar "respeito as diversidades" e outros slogans politicamente corretos na coisa. É que nem o fato de que fazer piada sobre judeus, gays e negros dá altos rebuliços em determinadas rodas ou na sociedade como um todo, mas fazer piadas sobre esquimós não acontece nada. O lobby de melindração é muito mais forte com os três primeiros grupos, mas não com o quarto.
07 fevereiro, 2006
Panaquice da Ocasião
Um velho clichê de comédia é o exagero na duração da piada: por exemplo, em um ato qualquer, os comediantes fazem uma certa gag. A coisa pode ser apenas medianamente engraçada, quando muito. Então, a gag é mantida e/ou repetida por x tempo... o que começa a tornar a coisa incômoda e irritante. Mas a gag é mantida por ainda mais tempo, o que então passa a coisa novamente para o lado cômico, justamente pela absurda demora e exagero, especialmente se a gag não merecesse tanta atenção em primeiro lugar. Assim, nestes casos, quanto mais imbecil e sem graça a piada original é, maior o "efeito" do exagero cômico no final.Pois é exatamente isto que mais uma vez certos indivíduos no mundo islâmico estão demonstrando serem capazes de fazer. Como todos já sabem, charges foram publicadas na imprensa dinamarquesa, e mulçumanos ofendidos sobem nas tamancas, fazendo seus protestos e queimas-de-bandeira de sempre. O "boohoo" típico destes fundies, nada de novo, até ai. Contudo, os atos e protestos continuam, o que leva a coisa para o nível de espanto, por eles claramente estarem fazendo tempestade em copo d'agua. E agora, com as manifestações continuando ainda mais, chegamos finalmente no que beira a comédia patética: a "terceira fase" do clichê que comentei acima.
Isto tudo demonstra bem o nível de seriedade, o nível de sofisticação e o nível de civilidade dos "protestantes" e de sua "luta". Sempre que eu acredito que os fundies já conseguiram atingir o que poderia ser o máximo de imbecilidade, sempre aparece mais fundies para continuarem elevando a posição da barra.
06 fevereiro, 2006
Uma Deplorável Colméia de Escória e Vilania
Como até mesmo o mais obsoleto dos últimos PDP-11 que ainda estejam conectados a Internet pode saber, o Orkut fracassou completamente na sua premissa original.Coisa de pouco mais de um ano atrás, li pela primeira vez em uma coluna na seção The Talk of the Town, da The New Yorker, sobre este novo serviço do Google criado por um de seus programadores, Orkut Büyükkökten. Parecia interessante e promissor. O cerne da coisa estava na maneira pela qual os usuários cultivavam sua rede de contatos -- supostamente, cada usuário deveria adicionar como "amigo" apenas aquelas pessoas em quem realmente confiasse. Pois desta forma, poderia confiar plenamente naqueles em que seus amigos confiassem, para daí iniciar novos relacionamentos partindo de um ponto com referências sólidas, vamos dizer assim.
Supostamente.
Foi então quando houve a grande invasão brasileira ao sistema, graças à maneira pela qual a maioria dos usuários brasileiros adicionava amigos: tais quais caçadores de cabeça, disparavam convites para absolutamente todos que lhes cruzasse o caminho e ainda mais alguns. Apenas conseqüência, portanto, de meros meses depois, mais de 70% dos usuários serem originários do Brasil, contando-se aí usuários legítimos e contas-marionetes das mais variadas funções.
Adicione à "conjuntura geral do Orkut" o fato de que as ferramentas básicas do sistema, especialmente aquelas de gerenciamento de comunidades, são primitivas e precárias; na realidade, são um retrocesso de cerca de uns cinco a seis anos no progresso que este tipo de ferramenta teve na Internet, se avaliarmos pelas funções mais básicas de softwares de gestão de fóruns e comunidades. E as constante falhas e bugs também não ajudam nada, é claro. Aliás, eu acho admirável que o Google não puxe a coisa da tomada de uma vez... só não devem fazer isto por estarem nadando em dinheiro no momento, o que possibilita se darem ao luxo de manterem no ar uma terra de ninguém de qualidade duvidosa. Agora, caso o balão do Google comece a perder ar quente por qualquer razão que seja, eu não ficarei nem um pouco surpreso se o Orkut for um dos primeiros sacos de areia a ser jogados para fora da cesta.
O resultado de todos estes problemas é que o Orkut se tornou um dos maiores hubs na Internet para todo o tipo de troll, newbie, trektardos, fanboys sem-noção, sociopatas, n00bs, imbecis e outras parias sociais em geral, muito mais do que as infames salas e comunidades da AOL americana, há anos notória pela sua quantidade absurda de novatos sem-noção. Assim, não é realmente possível se considerar o Orkut para nada minimamente sério, mesmo que seja a tentativa de se manter discussões sobre temas até que frívolos -- fatalmente, a imbecilidade coletiva gerada pela massa de trolls no Orkut vai fazer respingar o seu lodo de bobagem em locais do Orkut em que se procura manter uma postura adequada para o debate e para a interação saudável.
Há, ainda, ilhas e bolsões de civilidade neste sistema do Google, claro... alguns muito bons e seriamente mantidos, bem como usuários civilizados e racionais. São a razão básica pela qual eu ainda até que mantenho uma presença ativa no sistema, aliado ao meu vício, por assim dizer, de caçar e derrubar manifestações de trollismo e ignorância por puro esporte. Vamos ver se ainda continuará sendo possível se proteger tais bolsões de racionalidade dos inimigos aos seus portões.
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